Biografia de Talleyrand, herói ou vilão?

Biografia de Talleyrand, herói ou vilão?

Charles Maurice de Talleyrand foi um dos os políticos mais brilhantes da França e da Europa. Considerado por uns como traidor e por outros como herói, pôde estar presente nos diversos governos franceses que existiram desde então. Luís XVI para Luís Filipe I. Conselheiro fiel de Napoleão, foi um dos principais promotores de sua queda. No entanto, Talleyrand alcançou grandes sucessos diplomáticos que garantiram a paz, bem como sucessos políticos em França que beneficiou o liberalismo.

Ele nasceu em 2 de fevereiro de 1754 em Paris em uma das famílias mais poderosas e prestigiosas do país gaulês. O jovem Talleyrand aprendeu os costumes e as formas mais requintadas da alta sociedade francesa, entre as quais devemos destacar a calma e a sofisticação, conceitos que aplicou ao longo da vida. Embora se esperasse que fosse um militar proeminente, sua doença acabou levando-o ao caminho eclesiástico. Era uma vida bastante tranquila, mas ele perdeu a maioria de seus direitos e os títulos nobres que deveria herdar.

Em 1779 foi ordenado sacerdote e formou-se em teologia na Sorbonne. Apenas um ano depois, Talleyrand foi nomeado Agente Geral do Clero da França, uma posição comparável à de ministro na vida civil. Sua tarefa era defender e administrar os bens da igreja contra os interesses de Luís XVI. É por isso que em 1789 o nomearam bispo de Autun e deputado do clero para os Estados Gerais. Talleyrand gozava de uma grande reputação que conquistara graças à excelente e brilhante gestão que exerceu em cargos eclesiásticos.

Como ele ocupou um cargo público, estava moldando sua mentalidade para ideais liberais. Tanto é que apoiou o setor revolucionário do Terceiro Estado e na Assembleia Constituinte defendeu a entrega à nação de bens eclesiásticos. Ao longo do Revolução Francesa, apoiou a constituição civil do clero e acabou deixando o estado eclesiástico para se dedicar à carreira de político e diplomata.

Isso é o que o levou a ser Embaixador da França em Londres em 1792. Sua missão era informar a monarquia britânica das notícias revolucionárias do governo francês. Em julho do mesmo ano, voltou ao país gaulês, mas, antecipando o Terror de Robespierre, partiu novamente para a Grã-Bretanha. No entanto, em 1794 ele foi expulso, então ele se mudou para os Estados Unidos. Lá ele fez uma fortuna considerável graças ao setor financeiro e imobiliário.

A queda de Robespierre e o regime de Terror que ele instituiu possibilitaram que Talleyrand voltasse à França em 1796. Ele aproveitou a situação política caótica do país para se tornar Ministro das Relações Exteriores do Conselho entre 1797 e 1799. Vendo o declínio em que o governo estava, ele contribuiu para o golpe de Brumário e obteve, novamente, a carteira estrangeira.

Talleyrand foi um servo fiel de Napoleão, que o nomeou Grão-camareiro, Príncipe de Benevento e Vice-Eleitor. No entanto, uma série de eventos, como o rompimento das relações com a Áustria ou a campanha da Rússia, levaram-no a renunciar, embora continuasse a reter os títulos, concessões e reconhecimentos do Império.

Após a Conferência de Erfurt em 1809, na qual se pretendia mudar a ordem política europeia, ele jogou um jogo duplo que lhe custou vergonha. Por um lado, informado Alexandre I de todos os movimentos do imperador, mas por outro o assessorou em tarefas políticas. O resultado foi que Napoleão o descobriu e fez um julgamento público contra ele. Talleyrand se defendeu de maneira sublime e expôs o presidente francês.

Na véspera do Abdicação de Napoleão, para cuja queda ele contribuiu fortemente, Talleyrand tornou-se chefe do governo provisório em abril de 1814 até o retorno de Luís XVIII. Este o nomeou Ministro das Relações Exteriores e plenipotenciário francês no Congresso de viena, onde aproveitou as diferenças entre os aliados em favor da França. Supunha-se que os gauleses seriam sancionados de forma muito poderosa pelas potências europeias, mas a verdade é que a habilidade manipuladora e política de Talleyrand evitou sanções contra a França e, de fato, levantou-o como poder.

Depois de Waterloo e novamente como chefe do governo em julho de 1815, Talleyrand teve que renunciar em 23 de setembro. No final da Restauração, ele passou para a oposição liberal e interveio no estabelecimento da monarquia de julho. Luis-Felipe o nomeou embaixador em Londres entre 1830 e 1834, posição em que Talleyrand alcançou o maior sucesso da diplomacia europeia: alinhar Espanha, Portugal, França e Grã-Bretanha na mesma aliança.

A partir daí, retirou-se para se reconciliar com a igreja e permaneceu em seu castelo até sua morte em 17 de maio de 1838. Deixou um legado muito discutido pelos franceses. Alguns pensam que ele foi um herói que trabalhou apenas para o benefício do país, enquanto outros o vêem como um político traiçoeiro, que fez de tudo para alcançar seus objetivos.

Apaixonado por História, é formado em Jornalismo e Comunicação Audiovisual. Desde pequeno amou História e acabou por explorar os séculos XVIII, XIX e XX sobretudo.


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